quarta-feira, 1 de agosto de 2012

(Quase) Autêntico e original - Viva o bolonhesa!

Desde a última postagem muitas coisas aconteceram. Eu gostaria de ter voltado antes para comentar os lugares que visitei na Restaurant Week, a viagem que fizemos a Bento Gonçalves e as receitas que tentei, mas no meio do caminho havia uma pedra: a falta de inspiração. Ok! Escrever textos aleatórios e cotidianos num blog é muito diferente de compor um soneto (o que não configura sequer uma possibilidade para mim) e disso ninguém há de discordar. Mesmo assim, é preciso ter vontade, ideias e uma boa pitada de autoconfiança. Toda exposição, por menor que seja, requer algo de coragem.
A pedidos - mais honesto seria colocar no singular, visto que se trata de um pedido apenas - este post é dedicado à minha tentativa de reproduzir um molho a bolonhesa - ragù alla bolognese, para os italianos; sauce bolognaise para os franceses, que, embora nada tenham a ver a ver com a origem do molho, dão sempre um pitaco em em tudo que se relaciona à gastronomia.
Essa história de molho à bolonhesa começou quando assisti a um protesto dos italianos pelo verdadeiro bolognese. Veja: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/01/100119_italia_bolonhesa_pu.shtml
A minha primeira reação foi considerar uma grande piada. Mas sabe que, depois, dei até razão pra eles? Imaginei a gringada colocando carne bovina na nossa feijoada, trocando o feijão preto, suprimindo a couve... NÃÃÃÃO!!!
Cheguei em casa decidida a reproduzir o verdadeiro, original, autêntico bolonhesa - receita patenteada há 30 anos em Bolonha. Bom, eu não tinha o tal tagliateli e acabei deturpando a receita (ma non troppo, hein! não me condenem!). Dá-lhe espaguete!


RECEITA

300 gramas de carne moída
50 gramas de bacon
50 gramas de manteiga
2 tomates cortados em pedaços
50 gramas de cenoura (eu ralei)
50 gramas de cebola
50 gramas de aipo
50 gramas de alho
50 gramas de ervas
1/2 copo de vinho branco
1 copo de leite integral

O modo de fazer é aquele bem basicão mesmo: frita-se o bacon e a manteiga, seguidos da cebola, cenoura, aipo, alho; faz-se a redução com o vinho; acrescenta-se o tomate e a carne. O leite  e as ervas são colocados na finalização. Não sei se a ordem dos fatores, neste caso, altera o produto e desconheço as técnicas corretas de cocção do prato. Fiz como achei que daria certo, a la bangu!

Resultado: trabalhoso, muita coisa pra picar e, consequentemente, pra lavar, mas... delicioso e bem diferente  da ideia que eu fazia do bolonhesa.

Qualquer coisa, se não der assim tão certo, o vinho salva. Depois de uma ou duas tacinhas, tudo é festa!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

E por falar em saudade...

Falar de gastronomia é falar de vó. Pra mim, é falar da minha vó, naturalmente. E é batata: toda vez que eu penso num modelo de cozinha cheia de gostosuras, penso na minha vó, numa mesa grande, cheia de farinha, e num cheiro muito bom saindo daquele forno.
Neste domingo, minha vó partiu: assim, sem alarde. Quando acordei, na segunda-feira, espiei do corredor para ver se a via fazendo mingau. Fechei os olhos e quase fui capaz de escutar: “Cla, é baunilha ou chocolate?”. Ela não estava lá. Nunca mais vai estar, eu sei. A cabeça sabe, mas o coração, sofrido, pesado, ainda engana os ouvidos, os olhos, as mãos, a boca.  É por isso que, na manhã do dia seguinte, eu ainda insistia em escutar os seus passos mansos, e a via sentadinha no sofá, com seus pés que nunca alcançavam o chão. E ainda hoje, passados quatro dias, sinto o gosto do melhor molho de tomate de todos os tempos.
Agora tudo é saudade. Saudade que dói. Mas, se Guimarães Rosa estava certo – e eu acho que estava – as pessoas não morrem, ficam encantadas.





terça-feira, 19 de junho de 2012

Restaurant Week PoA 2012 - porque mais barato é muito melhor!

No dia 26 de junho (terça-feira próxima) tem início em Porto Alegre a semana antecipada da Restaurant Week para clientes Platinum Mastercard. Se você, como eu, tem "malemá" um dinheirinho na conta, não fique triste: de 2 a 15 de julho é a vez do grande público. Já foram divulgados os restaurantes que integrarão o evento. Tivemos perdas consideráveis em relação às duas últimas edições - Atelier das Massas e Koh Pee Pee, por exemplo, deixarão saudades. Mas tudo bem, vamos aproveitar porque não é sempre que podemos desfrutar de bons restaurantes a R$ 31,90 no almoço e R$ 43,90 no jantar - sempre lembrando que estamos falando aqui de ENTRADA + PRATO PRINCIPAL + SOBREMESA e que estamos excluindo 10% e bebidas.


E, como vários estabelecimentos já disponibilizaram seus cardápios no site, podemos nos dar ao luxo de fazer nossos planos com muita antecedência. (Confira aqui os restaurantes participantes, seus cardápios e os horários de funcionamento: http://www.restaurantweek.com.br/poa ). Que tal a dieta da quinzena da sopa pra compensar as muitas calorias que ganharemos? Se você, diferente de mim, é atlético, corre três maratonas por dia e não precisa se preocupar com ninharias como essa, lembre-se pelo menos de preparar o bolso.


Sempre tive a maior curiosidade de conhecer muitos destes lugares. Aliás, pelo que bisbilhotei, os cardápio estão "très chiques"! Quem nunca quis ir ao Porto Alegre Bistrot (restaurante do Sheraton) ou ao Press Hilário, por exemplo, pagando essa bagatela? E mais: levante a mão quem nunca pensou em se aventurar num lugar desconhecido, ou provar de uma cozinha diferente, mas acabou desistindo por temer o preço ou um eventual (e talvez caro) desapontamento? Pois bem: é chegada a hora de vazão aos nossos ímpetos gastronômicos mais profundos! Yeah! Não precisamos mais pagar uma fortuna para saber que diabos é um rolet de congro rosa ou se gostamos ou não de endívias! Curiosos, esfomeados e desprovidos de Porto Alegre, uni-vos!





terça-feira, 29 de maio de 2012

DIVINA PASTA

Há coisa melhor nessa vida do que uma boa surpresa? Poucas, eu suponho. Acho que eu vivo atrás disso - boas surpresas e a sensação maravilhosa que se segue de uma descoberta. Pois foi exatamente isso que aconteceu quando estivemos no Divina Pasta, restaurante pequenininho escondido na Zona Sul de Porto Alegre.

O lugar é muito aconchegante. Não comporta mais de 50 pessoas, com certeza. Tem um ambiente bem decorado, sem ser demasiado ostensivo. A música não é super original, mas cria um clima mais intimista para o jantar.



Escolhemos como entrada uma cesta de pães que, ao menos a mim, não decepcionou. Os antepastos estavam muito bons, de verdade.











Manteiga, sardella, algo que se assemelhava muito a uma berinjela diferente e caponata siciliana.









Prato principal 1: Tortei de abóbora ao molho rústico de frango. Estava bom, mas sou obrigada a dizer que o da vovó ganha (e muito!) em sabor.









Prato principal 2: Sorrentino com mussarela e copa. Não foi a minha escolha, mas é claro que eu tinha que me beneficiar do prato alheio! Diferente, saboroso.






Sobremesas: Parfait de sobremesa e Petit Gateau (que nunca, nunca falta!)










Fim de noite. E a satisfação de uma refeição agradável a um preço justo.

Apresentação: porque um pouco de cortesia não faz mal a ninguém

Este blog não surgiu agora. A ideia é antiga, e, como toda ideia que "maturamos" em demasia, pouco tem de sua inspiração original (é quase o Navio de Teseu). Mas, como boas intenções não têm hora, nem vez  - sim,  eu acredito nisso! - dou por iniciado o Panela & Prosa - uma espécie de baú de variedades com a mais humilde das pretensões: mero entretenimento.
Sou uma frequentadora contumaz de restaurantes, cafés, confeitarias e afins, confesso. Também adoro cozinhar, embora se trate de gosto apenas (nada de talento ou experiência - só interesse). Assim, é de se esperar que alguns posts versem sobre questões gastronômicas. Portanto, desde já o alerta: interesse não é conhecimento, embora seja sempre um bom início. 
O nome desse blog diz muito sobre a sua concepção: Panela & PROSA - aquela cúmplice e sossegada, que se dá na beira do fogão, entre uma risada e outra. Há sites especializados excelentes por aí. Com indicações de restaurantes então nem se fala! Eu mesma poderia citar uma penca deles. O objetivo de partida aqui não é avaliar, emitir juízos e nem mesmo fazer indicações, mas partilhar experiências. Que assim seja!